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A arquiteta do chocolate

30/10/2010 - 14:14 |

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Logo de cara, na primeira vez que visitei o delicioso Chocolatria, adorei como Simone Izumi começa sua biografia: A arquiteta que virou chocolate… E é verdade! Trabalhou três anos na área, com o irmão também arquiteto. “Nesta época, conciliava três empregos em prol a uma renda decente: secretária em um escritório de projetos, gerente de obras em São José dos Campos e, nos finais de semana, voltava para São Para para fazer trufas na cozinha de minha mãe e vender no restaurante de uma tia”.

Em 2004 ela se casou e, de volta a São Paulo, resolveu apostar na carreira que ela chama de “mais incerta”, a dos chocolates. O resultado foi a Divas Chocolates, que trabalha com produtos super especiais. Hoje ela se divide entre a empresa e os cuidados com a filha, de três anos. Ao mesmo tempo, ela encanta (a Dedo de Moça adora!) com o Chocolatria.

A chocolatier conta que o blog nasceu três meses depois da garotinha, “despretencioso, cheio de exclamações e cacoetes”. “Sofro de tédiofobia. Este período dentro de casa sem trabalhar me deixou alucinada em tentar achar algum hobby que extravasasse e canalizasse essa necessidade de oxigenação de minha mente. Nessa época, a Divas Chocolates completava 3 anos e eu já era apaixonada pela minha profissão. Visitando alguns blogs de comida, foi fácil concluir que havia achado o meu hobby ideal: comida, fotografia, reciclagem técnica e interatividade social”. O resto do bate-papo com Simone você acompanha abaixo. (Ah, Simone, você nos deve uma receitinha, viu?)

Simone no museu da Lindt, na Suíça: viagem pela cultura do chocolate

Como você começou a ‘cozinhar’?

Meus primeiros ensaios foram feitos na casa de minhas primas, quando queríamos comer doce. Acredito que tinha uns 12 ou 13 anos de idade. Incerta da idade, mas lembro-me perfeitamente de ter queimado uma barra de chocolate branco e a cara de frustração de minhas primas. Um bom start, não?

Desde crianças gosta de doces? Alguém a influenciou?

Como toda criança que sabe o que é bom! Na minha infância, o chocolate era visto como um objeto de desejo e sonhava, um dia, poder comprar essas barrinhas culinárias de 1 quilo. Quem diria! Se, em casa, reciclávamos até fita adesiva, certamente guloseimas não eram vistas com muita freqüência. Tinha acesso a doces e refrigerantes apenas em festas ou raros finais de semana. A minha mãe se esforçava em criar alguns docinhos de baixo custo como arroz frito doce e maria mole, mas o auge da alegria era quando chegava o aniversário de alguém e tínhamos o seu bolo mesclado ou torta de sorvete. Adorava também, quando nos finais de semana visitava uma tia que gosta de cozinhar e ela fazia bolo de chocolate, chá doce e me dava pacotinhos de bala para levar para casa. Porém, a minha paixão pela confecção de docinhos só foi despertada depois de adulta. Até então, era gula pura.

Quem são suas referências de ‘chocolatier’ ou doce em geral no Brasil e no mundo?
Sinceramente, tenho os olhos voltados para as vitrines de fora do Brasil. Tremi quando conheci a pâtisserie da Fauchon, os chocolates de Pierre Marcolini, os macarons de Pierre Hermé, a confeitaria secular da Ladurée, os cannolis e cantuccinis da Toscana. Um programa muito enriquecedor também é visitar o Museu da Lindt, riquíssimo em informações e material.

Poderia nos dizer suas marcas ‘ideais’ de chocolate para a confeitaria (uma nacional e outra importada)? Caso possa, claro. E o seu predileto, para degustar demoradamente?
Gostaria muito de um dia poder trabalhar com barras Valrhona e Callebaut em minha produção. Sonho seria trabalhar com as barras orgânicas da Amma, do brasileiríssimo Diego Badaró. Mas acredito que é preciso ter estrutura, logística – já que são barras com 100% manteiga de cacau, sendo mais sensíveis em relação às variações de temperatura… E moramos num país tropical! -  e público para viabilizá-los. O meu foco de trabalho são eventos sociais e corporativos e acaba sendo difícil repassar a diferença de valores.
Se tivesse ao meu alcance todos os dias uma barrinha de morango e ruibarbo da Lindt, de macadâmia da Ritter – uma marca facilmente encontrada nos supermercados da Alemanha – ou o crocante Daim sueco para degustar demoradamente, seria uma pessoa de sorte. Mas fico muito feliz com uma barrinha ao leite da Kopenhagen.
Acredito que a melhor marca nacional para se trabalhar são a Nestlè e a Garoto. Dependendo tipo de chocolate prefiro um ou outro.

As fotos do seu site são lindas! Quem fotografa (Por acaso você se inspira no Cannelle et Vanille?)
Fico extremamente feliz quando elogiam as minhas fotos. Fotografia é uma de minhas paixões, mas sou bem amadora. Meu legado de arquitetura acaba influenciando como tiro fotos. Priorizo sempre fotos com fundo clean – less is more, como pregava o famoso arquiteto Mies van der Rohe – abuso da macro, às vezes extrapolando o limite da área da lente, na tentativa de mostrar a textura – (e o cheiro?) do doce.  As fotos do Cannelle et Vanille são incomparavelmente melhores!

Você também dá aulas de culinária. Na hora de ensinar consegue se desprender e revelar todos os seus segredos (culinários, é claro!)?
Em relação aos segredos de técnicas, pulos de gato de produção e melhorias em sua otimização, a resposta é: totalmente! Só não posso revelar as receitas que tenho na produção devido a um contrato com o café da Hello Kitty.

No seu blog você se restringe aos doces. Você cozinha ‘salgados’ também?
A minha cozinha do dia-a-dia é simples e um pouco entediante. Como trabalho o dia inteiro na cozinha em pé, acabo chegando em casa anestesiada para o segundo round, sem muito ânimo para me aventurar em pratos diferentes que requerem muito tempo e disposição. Não cozinho, mas amo degustar cozinhas diferentes, da tunisiana a coreana.

Onde você busca inspiração para suas criações?
Hoje não tenho muito tempo para navegar na internet, ler livros ou assistir a programas de culinária, mas como gostaria! Além do trabalho de segunda a sábado, 12 horas por dia, tenho uma filhota que precisa de muita atenção. Mas, na época de criação de linha de produtos, mergulho nos livros, que foram e sempre serão a base de meu conhecimento.

Quais seus blogs e sites de culinária preferidos?
Adoro o Bakerella, Café Fernando, David Lebovitz, Martha Stewart, Sabor Saudade, Pecado da Gula, Prato Fundo… São tantos! Uns me atraem pelo texto divertido, alguns pelas sugestões bacanas, outros pela simplicidade…E tantos outros pela afinidade.

Qual seu doce que faz mais sucesso?
O que sai bastante são os nossos cupcakes, o pão de mel gift e o bem-casado de castanhas!

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